

Rodrigo Oriente é testemunha de acusação.
O empresário Rodrigo Oriente, pivô das denúncias de caixa 2 na campanha de reeleição do prefeito de Curitiba, Beto Richa, do PSDB, sofreu tentativa de homicídio por volta das 16h30 de terça-feira passada (02/03) quando circula pelo Mercado Municipal.
O escândalo que ficou nacionalmente conhecido como Betogate é recheado de banditismo, ameaças, suspeitas de grampos telefônicos, agressões físicas, entre outras barbaridades que o público avesso à podridão na política jamais teria estômago para acompanhar.
Vamos aos fatos. Oriente caminhava tranquilamente pelos corredores do Municipal naquela tarde de terça. De repente, foi surpreendido com um soco na nuca e um chute na panturrilha direita. Para se defender, esquivou-se do agressor. Em todo o instante, de acordo com vários relatos, o homem que atacava gritava prometendo matar o oponente. Não seria a primeira vez que essa ameaça teria acontecido.
E quem era o agressor? Pasme, caro leitor, o ex-secretário Municipal do Trabalho Manassés de Oliveira. Ele é um dos protagonistas do Comitê Lealdade, criado em 2008 para “cooptar” ex-candidatos a vereador do PRTB visando favorecer a reeleição do tucano Beto Richa na prefeitura da capital.
Entre alguns membros da prefeitura de Curitiba, Manassés é considerado um “herói”, pelo corretivo dado no algoz dos tucanos chamado Rodrigo Oriente.
Mais um detalhe importantíssimo: segundo relatos de quem circulava pelo Mercado Municipal, o ex-secretário do Trabalho havia ameaçado pegar uma arma de fogo no interior da camionete que dirigia. O veículo encontrava-se no estacionamento do local. Ele teria desistido da empreitada porque a Polícia estava chegando para atender ocorrência.
Rodrigo Oriente é quem fez as denúncias que mostraram ao país inteiro o modus operandi da campanha tucana em Curitiba. Em um vídeo veiculado em junho passado no programa Fantástico, da Rede Globo, o então coordenador do Comitê Lealdade, Alexandre Gardolinski, homem de confiança de Beto Richa, aparecia distribuindo dinheiro vivo para que candidatos do PRTB desistissem de disputar as eleições e atrapalhar a vida de outro candidato à prefeitura – Fábio Camargo, do PTB.
O diabo é que no quiprocó ocorrido na semana passada no Mercado Municipal, testemunhado por pelo menos seis pessoas, Manassés ameaçou de morte o empresário Oriente, que é testemunha-chave nas investigações do caixa 2 de Beto Richa na Justiça Eleitoral. Por muito menos, embora não menos grave, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (sem partido) está preso há quase um mês na Polícia Federal. Ele estava obstruindo o trabalho judicial.
Oriente registrou queixa na Polícia Militar, que atendeu a ocorrência no local. Também fez exame de corpo delito no Instituto de Médio Legal (IML). Pelo laudo da perícia, estava com escoriações na nuca, na panturrilha e na altura da canela.
O IML também examinou minuciosamente as mãos, pés, pernas, cabeça, antebraço e cotovelos e certificou preliminarmente que Rodrigo Oriente não cometera agressão contra quem quer que seja.
Duas horas depois da confusão, Manassés também teria ido ao 1º Distrito da Polícia Civil registrar queixa. Segundo relatos que chegaram ao blog, ele foi à delegacia acompanhado de dois secretários do município.
Não é só neste caso que Oriente é testemunha principal. Ele também é denunciante dos escândalos dos gafanhotos na prefeitura, dos crimes ambientais supostamente cometidos pela Construtora Piemonte, na Procuradoria do Ministério Público Federal e na própria Procuradoria Municipal de Curitiba.
A pergunta que não quer calar: se o cidadão Rodrigo Oriente é testemunha-chave em diversas investigações por que o Estado não lhe dá a proteção necessária? Será preciso que algo pior ocorra para que as providências sejam tomadas?